quinta-feira, 13 de novembro de 2014

a gente funcionava na madrugada.
por volta das 23, 0h, quando dava pra entrar na tua casa, ver teu sorriso e ouvir tuas conversas sobre a cidade. uma hora dessas a pele salgada ganhava um sabor agridoce que a minha língua alcançava de suor e martini. tua voz calma conduzia a dança e o tempo. no final os teus lábios tinham o gosto de martini que ficava na minha pele boca e no ar. ascendia o baseado e me olhava como quem não quer nada, apenas observar. eu desenhava teu sorriso, nossa dança, tragava o cigarro e voltava a desenhar o que no final moraria na tua parede, já coberta de tantos desenhos em tantas madrugadas
- deixa esse aí, eu encontro um lugar pra ele mais tarde. vem cá - era pra uma nova dança,
outra dose
e o novo dia que vinha
aos poucos...