de repente um arrepio, fio de frio no Rio e conotações de chuva. curva da coluna indo ao chão, composição kemetica pra equilibrar o sentido desse corpo. eu tava meio perdida, na rua sem saída da tua vila... cheguei como quem brilha, de suor de tesão muita magia... e todas essas palavras sem vírgulas e reticencias não adiantavam nada. não via lugar de fala. tombava, tombava, tombava. caia no esquecimento, o faketruque lembrava. coisa vaga, passeio que acabava no copinho de cachaça, na elza frequente, garotada eloquente essa gente... eu gostava. mas todos os dias quando voltava, me via planta na luz solar ganhando vida, calor e energia pra crescer, livrar-me do olhar mesquinho; me via trocando as folhas, florescendo cores nunca antes sentidas... lua nova é passo novo, eu guardei essa conversa, em que tudo era sobre a gente e os astros alí em cima. guardei que quando tivesse perdida, podia ser um deles retrogrado, meu céu astral, que não conheço, nem mesmo mainha... céu foi invenção. astral não, ou fomos?
esse ano dei muitas voltas, nas mesmas cidades que sempre habitei e nas que poderia vir a habitar. dei muitas voltas dentro de mim, nos sonhos que tive e anotei, nos planos que recebi e enviei... daqui eu não sei do close. desbotava o colapso. fuder é maya. toque é melhor. andava por dentro e por fora com a lingua desconstruida, por onde falava e por onde lambia. alegria era ser planta na chuva, alongada e suada na tropicalidade do dia a dia, investigava nada, só recebia e transmutava. vi de longe, coisa de timeline, troca de pensamento padrão, de caixa, auto estima delirante a venda, no gomo, no musculo, no pau, na bunda. caminho a gente compartilha, especialmente quando é trilha e a mata oferece conversa explicita com quem adentra sua energia. mas hoje não é dia de andar.
caminhar é preciso e saber parar é sábio, ainda mais quando chove gostoso num corpo que precisa de água. esse foi ano flecha. atingiu e passou rápido, nem todo mundo viu, nem todo mundo sentiu, nem todo mundo foi.
mesmo depois da chuva, ainda guardo o cheio do teu corpo