uma hora dessas e eu ainda estou lendo tuas cartas. um pouco cansada, desapegada da noite lá fora, o que me sustenta é o blues. tua musicalidade latejante, no meu peito, no meu corpo, no meu pensamento. de verdade... queria escrever-te alguns dizeres, detalhes da vulgaridade em que me encontro, das conquistas que obtive e da tristeza que me dá quando eu chego em casa depois do dia corrido no centro da cidade, e não te encontro na minha casa. espera... na nossa casa. eu queria que soubesse que as flores que plantamos estão lindas e que a primavera fez um bem danado ao menos para elas... queria que tu me respondesse em seguida, avisando que tudo foi um equívoco da tua parte, e que em breve voltava pra casa e me traria flores, e um abraço apertado, pra acalmar a saudade que sinto de ti. mas sei que não vou conseguir escrever porcaria alguma, que vou fazer como ontem, e todas as noites desde que tu saístes; vou ler tua escrita, pensar em como poderia ter sido, e me entregar a morfina, á agulha, á viagem de te esquecer por alguns momentos, diluindo com o blues...
sei que mais tarde acordo e tento outra vez jogar tudo fora, e o Rio de Janeiro depois da janela vai me chamar ao dia, e assim vou encontrar-me com a rotina. uma hora dessas e eu falando sozinha, falando com tuas cartas e pensando em como seria... uma hora dessas.
dolores.
sei que mais tarde acordo e tento outra vez jogar tudo fora, e o Rio de Janeiro depois da janela vai me chamar ao dia, e assim vou encontrar-me com a rotina. uma hora dessas e eu falando sozinha, falando com tuas cartas e pensando em como seria... uma hora dessas.
dolores.